quarta-feira, 15 de março de 2017

"Amar pelos Dois"... A sério, Salvador, sai dessa


Já estou cansada de ouvir que a música dos manos Sobral é muito linda, que é a melhor canção dos últimos tempos e que tem grandes possibilidades no festival da canção... Sim tem uma melodia bonita mas, será que sou a única que está mesmo preocupada com a mensagem da música e prontinha a agarrar no telefone para ligar à APAV...?  

Se um dia alguém, perguntar por mim
Diz que vivi para te amar

Até aqui tudo bem, um pouco exagerado, mas pronto Salvador estás apaixonado vou te dar um desconto. 

Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Um homem com uma vida triste, cansado, sem grandes motivações ou expectativas... Salvador, tens que te valer por ti, não podes estar à espera de outra pessoa para trazer alegria e objetivos à tua vida. Agarra numa dúzia de euros e vai comprar um livrito do Gustavo Santos tipo "Ama-te" ou assim "porque o nós, não se pode sobrepor ao Eu, porque sem Eu não existe Nós e no abecedário o E de Eu vem primeiro do que o N de Nós, e a mente mente.... " acho que estás a perceber a ideia.
Portanto, repete comigo: "A melhor maneira de ser feliz com alguém é aprender a ser feliz sozinho." Vai ser o teu mantra agora!

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer

Pára de enviar mensagens a meio da noite embriagado a dizer volta para mim, amo-te muito e não sei quê, isso não é amor é obsessão.... não a vais conquistar assim, ela vai ter pena de ti e ninguém quer pinar com o desgraçadinho.  

Eu sei, que não se ama sozinho
Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Salvador tu até tens noção que ela não te quer, já acabou, mas insistes.... ela não vai voltar!!
Aceita e liberta-a do teu pensamento. Deseja lhe uma morte lenta e dolorosa mas longe de ti, parece me um pensamento mais saudável... ela fez te sofrer homem! Tem amor próprio! Inscreve-te no Tinder, embrulha-te com outra... vai fazer uma viagem... muda o corte de cabelo... vai dizer para o facebook que estás óptimo, mesmo a morrer por dentro... mas pára de bater no ceguinho! O teu "meu bem" já era!!!  

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer

Eu sei, que não se ama sozinho
Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer


E a partir daqui está tudo perdido e começo a ficar mesmo preocupada, ele já a encostou à parede, ela não quer ceder, mas o Salvador não desiste...  

Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração, pode amar pelos dois

Pronto o "Meu bem" já está trancado numa cave, amarrada a uma cadeira com o Salvador a Amar pelos Dois... 
não queres? queres, queres! tu é que não sabes... mas vais aprender devagarinho...



Então ainda acham uma música bonita? Ai que romântico amar pelos dois... se for um stalker já não é tão fofinho pois não?
Por isso vamos salvar o "Meu bem" das garras do Salvador!!!!!
Passem a mensagem.

A menina dança?

Às vezes tenho a mesma determinação que uma pedra da calçada, por isso não escrevo nada há tanto tempo e tenho tantos episódios interessantes para partilhar, aí menina, e não é muitos e não são poucos... bastantes até (como diria a senhora dos apanhados da TVI no Porto)
Já se passaram alguns meses, mas esta foi uma vivência daquelas que ficam cravadas na memória para todo o sempre e merece ser partilhada...
Era uma vez, seis raparigas que procuravam um sitio para dançar numa fria sexta feira à noite... nenhuma era particularmente fã de discotecas, por isso começaram a pensar em alternativas, a J. sugeriu um sítio que já tinha ouvido falar e onde faziam umas festas temáticas (salsa, kizomba, funana, souk, semba, bachata e mais coisas que não sei pronunciar) não sendo propriamente o tipo de musica que mais aprecio, estava disposta a submeter me a esse martírio timpânico para estar mais um tempinho com as minhas amigas.
Fiquei a saber que depois do grande flop que foi o "coyote bar" - uma espécie de armazém onde de 30 em 30 minutos as meninas do bar saltavam para cima do balcão e dançavam com cara de "odeio o meu trabalho, a única coisa boa é o fardamento. Posso andar de calções curtos e mostrar a barriga  todo o ano"  - eis que chega o "Barrio Latino"!!!!! Bastaram 5 minutos para estarmos a sair porta fora  com a M. a fazer olhos de bambi ao segurança para nos safarmos do consumo mínimo obrigatorio "... vínhamos ter com uns amigos nossos mas acho que nos enganamos no sitio... começava por B também....." explicou-nos o caminho para o B.leza e lá fomos.
Entretanto tivemos duas desistências, realmente o que nos esperava, era mesmo para pessoas fortes de espirito, numa frase:

Baile da aldeia meets Tinder meets Danças africanas...



Depois de todos os procedimentos iniciais de entrada numa discoteca ir ao bengaleiro, ir ao wc, arranjar um cantinho para estar, começamos a dançar, eu a "massacrar o chão" porque realmente não nasci para dançar kizomba quando começaram a chover convites "A menina dança?", já que lá estava tinha que ter a experiência no seu todo. Aprendi que tenho uma certa dificuldade em "ser conduzida", que é sempre melhor dançar com um indivíduo com pança, porque cria ali uma barreira física protetora e que basicamente é dois passos para um lado e para o outro e desde que se abane o traseiro está tudo bem.
Depois percebi que a dança não é a finalidade em si, mas sim ... o engate!
Uma espécie de speedating dançante porque são aqueles 5 minutos que dura a musica e quando acaba passas para outro, se houver match podes repetir o par outra vez, simples!
Ora e no que consistem as conversas... basicamente é tentar sacar informação ao parceiro... podia ser de uma forma glamorosa ou então logo à bruta como te chamas? idade? de onde és? costumas vir aqui muitas vezes? (sim essa pick up line ainda é utilizada nos dias de hoje...).
Geralmente começa com um elogio "danças bem" ou se realmente estás a dançar muito mal logo se disponibilizam para ajudar "eu ensino te, relaxa", quando chegou a pergunta do nome a primeira coisa que me vem a cabeça é "Elizângela" depois disso tomei a liberdade de criar uma personagem...
- És psicóloga?
- Não, trabalho nas limpezas.
- Vives em Lisboa?
- Sim, na Penha de França.
Tentei ficar em personagem, mesmo entre danças, falava com as minhas amigas sobre os problemas nas limpezas, das mopas que estavam velhas e como era difícil limpar o chão sem ter material em condições.

Como eu, muitas personagens povoavam o B.leza, o "doente psiquiátrico" que tinha o riso mais cómico e ao mesmo tempo assustador que já ouvi na vida; o "Maestro de gola alta" que nunca dançou com ninguém e mexia só as mãozinhas ao som da música, o "velho comandante" que envergava um casaco de botões com âncoras e só dançava com loiras de 40/50anos todas enxutas (temi varias vezes pela vida dele, parecia que ia enfartar a qualquer momento); o "Mamadu" professor de danças avançadas, tinha como missão converter branquelas, como eu, ao fascinante mundo dos ritmos africanos...

Por isso, Mulheres de Portugal um dia que estejam com a auto estima em baixo, passem uma escova pelo cabelo (nem precisam de tomar banho) vistam qualquer coisinha e vão ao B.leza garantido que alguém vos chama para dançar e tenta sacar o numero de telefone, o que mesmo que seja por alguém que não nos diga nadinha sempre dá aquele sentimento do espera lá que ainda estou no mercado... 

sábado, 27 de agosto de 2016

Bolor !? Como assim !?



Fartinha de ver os meus cabelos por tudo o que é chão cá em casa e depois da minha cabeleireira ter dito que era melhor dar um saltinho a um dermatologista lá marquei uma consulta, onde descobri que pior que ter queda de cabelo... é ser tão nova e já ter bolor... 


Começou assim...
Ela: Boa tarde.
Eu:  Olá, boa tarde.
Ela: Sou a Dra L., então, diga-me o que se passa? 
Eu:  Bem, na realidade são 3 coisas distintas 
       (já que lá estava mais valia aproveitar)
Ela: Ena! Objetividade!
      (agora tentem imaginar as falas da Dra L. num tom um pouco afetado, tipo Tia de Cascais... sei lá... caturreira... este pequeno é girissimo vou-lhe dar um presente!!!)
Eu: Sim... Primeiro estou preocupada com o meu cabelo, que ultimamente tem caído muito e sem motivo aparente.
Ela: Não se preocupe, não tem falhas, o cabelo está a renovar-se! 
      Falou me no ciclo de vida do cabelo, como este pode ser afetado pela alimentação, a medicação, o stress, questões hormonais, fez um esquema num papel e por fim tranquilizou me. Disse que era normal e que até devia ficar feliz e "agradecer cada vez que via um cabelo no chão, porque é cabelo que não interessa!" Mas que me ia prescrever uns comprimidos e também umas ampolas "(...)porque as pessoas ficam sempre mais felizes se tiverem qualquer coisa para esfregar na cabeça. vamos dar força ao cabelão que aí vem!"
Eu: Vamos a isso então!
Ela: E mais?
Eu: Tenho umas manchinhas na pele que aparecem no verão (que me proporcionam um incrivel padrão tigreza quando fico morena) que já tentei tratar duas vezes sem sucesso, se bem que este ano nem está muito mau..
      Deu a volta a sua secretária puxou me o top para cima e disse: Isso é bolor!
Eu: Como assim? Bolor?! Sempre lhe chamaram pitríase versicolor, sempre é mais agradável... 
        (Bolas será possível, com bolor aos 30 e poucos!)
Ela: Sim, sim, na realidade atua como o bolor e onde há bolor não chega o sol, não bronzeia. E mais uma vez explicou-me tudinho, que era característico das peles morenas que se manifesta nas zonas mais oleosas, que tinha que ter cuidado com os cremes e mais mil e um cuidados.
Ela: Sabe o que pomos nas caixinhas de Petri para isso crescer em laboratório?
Eu: ah....  não...  (e a pensar... pão com alguns dias?!)
Ela: Azeite! Por isso nada de cremes muito oleosos. 
Eu: Boa por falar nisso... também tenho a pele um pouco oleosa e volta e meia tenho borbulhas.
Ela: Está grávida ou a pensar engravidar...?
Eu: De momento não.
Ela: Boa!!! vai tomar este medicamento numa dosagem muito baixinha e apenas 3 dias por semana, vai fazer maravilhas, à pele, ao cabelo a tudo. Vai achar o máximo!
Ela estava tão entusiasmada que eu fiquei também. Era vê-la a prescrever coisas no computador e a dizer " vai amar este creme!" ou "daqui a uns meses vai me agradecer!",  4 folhas de medicação depois, com muitos riscos e explicações que me obrigaram a fazer um post it para colar no espelho da casa banho, saí do consultório, com a certeza que tinha que erradicar este bolor e que apartir deste momento iria agradecer e bater palminhas de alegria por cada cabelo que visse no chão porque se são cabelos que não interessam, não quero cá más companhias! 
Lado negativo a conta da farmácia e estar de férias e ter que andar com um necessaire gigante atrásPois que agora tenho um creme para lavar a cara, outro para lavar as costas, outro para o resto do corpo, um creme de dia, um creme de noite, umas ampolas para o cabelo... A minha higiene tornou-se uma canseira.
E comprimidos...? Estou quase a arranjar uma daquelas caixinhas que os velhos têm para separar a medicação por dias... 
Mas dê lá por onde der, o bolor tem os dias contados!!!! 










sexta-feira, 19 de agosto de 2016

32 anos e 7 dias de mim

O dia do meu aniversário é sagrado. Faço questão de nunca trabalhar e dedicá-lo inteiramente a mim, como sou uma mimada do pior obrigo pessoas a celebrarem-me e gosto sempre de organizar qualquer coisa. Este ano foi uma festa muito pequena mas que me encheu o coração. 
Aproveito para fazer um balanço do ano anterior e projectar aquilo que quero para o próximo, mais do que resoluções de passagem de ano, gosto de resoluções de aniversário, neste momento tenho umas quantas ideias a fervilhar na minha cabeça que espero que se realizem com muita força.

Primeira micro-resolução (temos que começar por algum lado...) comprar um computador novo. 
Meu querido Sony Vaio branco como a neve, fomos muito felizes, 7 anos de alegria, mas a tua lentidão dá-me nervos e sinto que já esgotaste a tua capacidade para me suportar (será a famosa crise dos 7?
Mas chegar a casa dizer boa noite, ligar-te cheia de saudades, ter tempo para lavar os dentes, tomar banho, vestir o pijama e voltar para ver que ainda estás a iniciar a sessão... tentar ver mais do que um site ao mesmo tempo e perceber que estás à beira de um ataque de nervos... escrever um texto como este e estar à espera que as letras apareçam no ecrã (nãoeu não escrevo assim tão rápido...) está a dar cabo de mim, temos que falar... 
É melhor acabar, já tentamos há uns tempos começar tudo do zero mas a formatação não resultou... sinceramente já ando de olho noutros e porque não te quero trair, vamos ficar por aqui... mas podemos continuar amigos...
Que é o mesmo que dizer, vou cortar o contacto por completo para te esquecer, vou me apaixonar-me por um novo e quando nos voltarmos a cruzar fingimos que tá tudo bem, temos o momento mais constrangedor de todo o sempre sem saber o que dizer, prometemos que nos vamos voltar a ligar para pôr a conversa em dia...
Mas ambos sabemos que isso nunca vai acontecer... 



Voltando ao tema inicial... a brincar, a brincar já são 32!
Se a minha vida está como eu imaginaria aos 32 anos? 
Esperem um pouco, vou só ali rebolar no chão a rir durante meia hora seguida... 
ou seja não, não está. 
Mas a verdade é que também não está nada mal. 
E devo confessar que até me imaginava com um aspecto mais envelhecido, ainda passo por vinte e muitos, que sempre é melhor que trinta e poucos.   






terça-feira, 28 de junho de 2016

Os sapatinhos do Rúben


Para celebrar o São João fui sair com um grupo de amigos, já que ir ao Porto não era uma opção, decidimos começar no Príncipe Real, seguido do Bairro Alto, Bica e por fim Cais do Sodré. 
Devo confessar que gosto mesmo muito de arraiais, gosto do entusiasmo dos turistas quando dançam ao som da Rosinha "Eu levo no pacote, ai eu levo sim senhor" sem fazerem a mínima ideia do que estão a ouvir, gosto que onde quer que esteja haja sempre uma barraquinha com ginginha de Óbidos, gosto de pessoas animadas na rua, gosto de dançar! Se um dia tiver que colocar uma prótese na anca, posso ter a certeza que se deve às festas dos Santos Populares 2016! E se há coisa que puxa pela cabeça do fémur é sem duvida dançar bailarico. 
O que não gosto é que às 2 da manhã as festas na rua terminam... como não apetecia nada ir para casa, fomos dar um saltinho a um bar. Estava um pouco vazio e com um ambiente estranho mas a música era animada e decidimos ficar. Começa a música brasileira e lá fui eu sambar na "cara das inimigas" (o meu samba só com um pé, mas que no entanto cria um enorme impacto pelas caras que faço e movimentos de braços) quando de repente um rapaz enorme dirige se a mim e diz "Boa amiga!" seguido de um abraço. Enquanto pensava que finalmente tinha encontrado uma pessoa que valorizava o meu samba como ele merece ser valorizado, olhei para baixo e percebi o porquê da sua altura vertiginosa, uns sapatos vermelhos com um tacão tão alto que eu não me atreveria a calçar. Fiquei um pouco confusa, apresentei-me, perguntei-lhe o nome e depois tive que saber... "Oh Rúben porque é que tu estás de salto alto?" Explicou-me que aquela era uma festa LGBT. Comecei a perceber o porquê da bandeira com o arco-íris na parede, dos olhares gulosos de duas raparigas e de tanto homem alegre naquele espaço. Depois de refletir sobre isto só me ouvi dizer... "Oh Rúben mas tu és traveca?" ele respondeu me que não, mas que tinha feito uma aposta com uns amigos em como ia sair com aqueles sapatos. Se por acaso fosse, acho que me tinha habilitado a um valente par de estalos, mas pronto na altura foi o que saiu, pensando bem dizer travesti sempre soava menos mal. Fui comunicar aos meus amigos o episódio e após longa deliberação decidimos ir para outro sítio... 
Já estávamos noutro bar quando a minha amiga M. foi abordada por um rapaz, claramente para o engate, eu fiz o meu papel e dei espaço para que a magia acontecesse mas estava a ver pela cara dela que o entusiasmo era pouco, então como boa amiga aproximei me outra vez... o rapaz realmente não estava a ter grande sucesso e decide pedir me ajuda "Convence lá a tua amiga a ir beber um shot comigo..."  Eu que não acredito nadinha em engates na noite (sim... eu sei... que há sempre a história da amiga de uma amiga que conheceu um rapaz na noite e que agora esta casada e feliz, com filhos e netos, mas para mim isso é um mito urbano) só tive esta reacção, é que teve mesmo que ser "Desculpa lá, mas tens que pensar noutra coisa... beber um shot...!? Isso já resultou alguma vez...? Conquista-a de outra maneira, com o teu intelecto, mostra que és uma pessoa interessante." Aparentemente estava a dar-lhe uma grande novidade, pela cara que fez nunca devia ter pensado nisto. Realmente parece impossível, cativar uma pessoa a falar com ela...? sem ter um nível de alcoolémia que permita tirar alguns pontos na carta de condução...? Que pensamento inovador! 
Só sei que ele desapareceu e nunca mais o vimos, deve ter ido pagar um shot a outra. Mas quero acreditar que tenha ido para casa reflectir sobre este assunto e que passe a mensagem aos seus amigos. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O curso de cozinha...


Há mais ou menos um ano atrás fiz um curso de cozinha, foram muitas as vezes que ouvi... "mas porque é que vais fazer esse curso?" "Não sabia que gostavas tanto de cozinhar".  Bem, gosto de cozinhar (de vez em quando) mas não sou grande cozinheira. Este por si só já era um bom motivo para ir aprender, mas a oportunidade de fazer algo diferente e ter prometido há muito tempo a minha amiga C. que ia com ela, também tiveram o seu peso.

Durante 4 meses, os meus sábados foram mais ou menos assim, os Chef's começavam o dia com uma explicação sobre o que íamos fazer, ensinavam alguns termos básicos da cozinha, depois éramos divididos por bancadas onde confecionávamos uma receita em grupo. A parte melhor é que tínhamos os alunos dos cursos profissionais (carinhosamente apelidados de mini-chef's) que nos davam uma ajuda, iam buscar os ingredientes, lavavam a loiça toda e arrumavam a cozinha no fim. Acredito que se tivesse um mini-chef em casa ia cozinhar muito mais.
Depois almoçávamos os nossos petiscos, o que era um grande risco se as coisas não corressem bem, por acaso nunca aconteceu, mas uma vez um tabuleiro de bifes conheceu o chão da cozinha, o Chef muito prático disse logo "quem não quiser não come, mas vamos pó-los um bocadinho no forno para matar o bicho". Há muitos anos que sigo a regra dos 5 segundos e até agora tudo bem, e se forem 5 segundos mais forno não tem como falhar. 
Quando começámos a ganhar confiança uns com os outros começaram a surgir umas garrafinhas de vinho para acompanhar o almoço, a verdade é que a tarde nunca rendia muito mas que era um dia bem passado lá isso era. 

Tive o privilégio de conhecer pessoas muito diferentes, desde os Chef's aos colegas de curso. O Chef do peixe tinha uma personalidade forte e acho que lhe custava um pouco desperdiçar a sua genialidade a ensinar energúmenos como nós pois, fazia questão de dizer que já tinha cozinhado para gente muito famosa e que tinha ganho uma série de prémios. E se havia coisa que o fazia passar-se completamente era quando lhe perguntavam tempos de confecção ou quantidades nas receitas! Era vê-lo ficar todo ruborizado a deitar fumo pelas orelhas, a dar murros na bancada e a mandar robalos ao ar!!! Para ele não havia tempos, nem quantidades a cozinha fazia-se de amor e de comunicação (explicou-nos que devíamos perguntar ao peixe se já estava pronto, já tentei cá em casa mas o salmão não estava para conversas).  Tirando o seu mau-feitio, ensinou-me muitas coisas tais como filetar uma raia, a melhor receita de pataniscas do mundo, a fazer um ceviche de cavala, arroz de tamboril...  
O Chef pasteleiro era da velha guarda, aquele homem a partir ovos era digno de ser visto, parecia uma máquina! Nunca vi ninguém separar gemas e claras tão rapidamente! Não nos deixava fazer grande coisa é certo, mas numa manhã era capaz de preparar todo um banquete para um casamento de 300 pessoas no mínimo. Quando pedíamos uma receita de alguma coisa era vê-lo começar por “precisam de 30 ovos e 20 gemas ou precisam de 70 ovos... mais 2 kg de açúcar..." ele não era capaz de pensar em pequenas quantidades…
Entre os colegas algumas personagens incríveis... o senhor que ia todos os dias de jaleca, claramente tinha muito nível para ir só de avental branco como os restantes, uma dona de casa desesperada que apontava tudo num caderno e estava sempre a tentar perceber a maneira mais rápida de fazer qualquer coisa, a "Tia de Cascais" que foi aprender coisas para ensinar à empregada, o barbas com ar misterioso que parecia um agente infiltrado, o senhor que levava aquilo muito a sério e sabia bem o que queria cozinhar, um dia fez um sprint só para ficar na bancada da codorniz recheada! E ficaram alguns bons amigos com quem gosto de recordar estes momentos (geralmente à mesa, claro) e que fazem o favor de partilhar comigo algumas receitas e truques. 
De repente bateu uma saudade, vou só ali fazer uma massinha a ver se passa. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Santo António está na hora do castigo!


No dia 13 fui à Procissão do Santo António. 
Não foi fácil, a noite anterior tinha sido longa e só me apetecia ficar esticada no sofá, mas promessa é promessa! Lá fui eu, Santo António em punho, rumo à Sé de Lisboa. Nunca tinha ido e fiquei impressionada, a multidão, as ruas enfeitadas, as colchas à janela, os turistas com um ar perplexo... 
Não se pode dizer que haja muita malta nova na procissão e as velhas não brincam em serviço... dão cotoveladas, empurram com as mamas, um pouco de tudo para conseguirem estar mais pertinho da imagem do Santo, enquanto cantam incessantemente com uma voz mais ou menos afinada: 

"Santo António Padroeiro,
Nosso guia e protector,
Ensinai-nos a viver,
Como irmãos em santo amor"

Ao fim de uma hora de tal de caminhada, terminámos a volta, fui acender umas velas e fazer os meus pedidos. Comprei 4 velas. Ah pois é, não brinco em serviço! Estou a jogar os trunfos todos! Vá, também não estou assim tão desesperada, as velas não eram só para mim, sou muito solidaria com os meus amigos solteiros. Ainda me perguntaram se tinha feito uma oração por casamentos felizes, mas a verdade é que estava concentradíssima na solteirice e depois também não queria incomodar o santo com tanto pedido. Quer dizer tem que juntar os casais e ainda proporcionar vidas felizes, por favor ele é só um, tenham dó! 

Hoje ao partilhar orgulhosamente o meu feito com a minha amiga C., percebi que estava a fazer tudo errado, o Santo António (como homem que é!) gosta de ser maltratado, não é cá dar-lhe carinho e levá-lo a correr as ruas de alfama... "Tens que o castigar! Virá-lo contra a parede" disse me ela com um ar muito sério.
Se é para castigar consigo melhor que virá-lo contra a parede e tendo em conta que o meu santo antoninho é feito de tecido acho que vou fazer dele um boneco de vodu! muahahahahahahahah (riso maqueavélico!)


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Alberto, o anjo da estrada

Vinha eu a caminho de casa depois de uma noite de Santos Populares ainda a cantarolar o "Viva o Santo António, viva o São João... tralálálálá" quando o suzuki começou a fazer um barulho estranho... encostei junto a uma paragem de autocarro, sai a medo para ver o que se passava e bastaram 5 segundos para perceber, tinha um pneu furado! 
Voltei para dentro do carro e refleti sobre a situação... 
Estava sozinha, parada, ás 5 da manha perto de um bairro duvidoso! Permiti-me um pequeno momento de pânico e depois comecei a fazer qualquer coisa. Procurei o número da assistência técnica mas achei que um pneu furado não era motivo para os incomodar; vi um vídeo no youtube "Mão na Massa - Trocando Pneu" mas não me senti tão emancipada e independente como a mulher do vídeo... Saí do carro e fui olhar para o pneu outra vez. Sim, continuava em baixo! Só pensava porque é que não estive com atenção com quando o meu pai me tentou ensinar? 
Estava na hora de pedir ajuda a alguém, liguei aos amigos que tinha deixado há alguns minutos para me virem salvar. Aproveitei para ir esvaziando o porta bagagem não queria parecer completamente inútil, ao menos sabia onde estava o pneu de substituição... quando um carro parou mesmo a minha frente. Enquanto via o filme da minha vida a passar diante dos meus olhos e pensava se é para falecer pelo menos esta luz não é má de todo ... Eis que me aparece o Alberto (ilustre desconhecido) que disse "não tenhas medo, eu vou ajudar-te".  E ajudou mesmo, foi ao carro dele abriu o porta bagagens e sacou de todo um kit de salvamento na estrada que incluía um compressor que se liga ao isqueiro do carro, várias chaves, luvas, entre outras coisas... depois de confirmar que era mesmo um furo e não tinha solução trocamos o pneu. Sim, trocámos! Tive direito a todo um workshop de como mudar um pneu, muito melhor que o video que tinha visto no youtube. Aprendi o sitio exacto onde colocar o macaco, percebi que a chave que tenho não é boa e que no continente há umas melhores e que nem são caras. E num ápice o trabalho estava feito, no final ainda se disponibilizou para esperar pelos meus amigos que vinham a caminho. 
Agradeci muito, perguntei-lhe como podia retribuir, ele disse apenas que gostava de ajudar os outros. Desejei-lhe as maiores felicidades do mundo. Entretanto chegou a minha equipa de salvamento e o Alberto foi à vida dele, de certeza que tinha mais pessoas para salvar por essas estradas fora. 

Fica aqui a minha homenagem ao Alberto, o anjo da estrada.



Atrevo me a dizer que o Santo Alberto dá 10 a 0 à Madre Teresa de Calcutá ah e tal que ela ajudava os pobres e não sei quê... Mas ela fazia isso as 5 horas da manhã? sabia trocar pneus? trabalhava aos feriados?
Pois, a resposta é não. Ganha o Alberto!





sábado, 11 de junho de 2016

Os caracóis do Sr. Cândido



A T., a minha cabeleireira maravilhosa, não me podia atender, como plano B tinha marcado para uma cabeleireira aqui no bairro que há ultima da hora me diz que tinha que fechar... como assim?! e eu?! tinha um casamento em menos de 24 horas tinha que arranjar uma solução. Que fazer?
Andei a procura em todo o lado mas ou estavam fechados ou com agenda cheia...
Ligo para a minha mãe em prantos, precisava de ajuda! Ela aceitou essa missão como se a salvação do mundo dependesse da minha ida ao cabeleireiro! E conseguiu uma alternativa pouco convencional... O Sr. Cândido cabeleireiro de homens, mas que segundo a colega esteticista da loja ao lado até sabe fazer caracoís! uhhhh se sabe fazer caracóis... melhor que nada pensei eu e depois da maratona da minha mãe tinha mais era que agradecer e aceitar.
10 horas da manha lá estava o Sr. Cândido a abrir a loja. 
Começámos por lavar a cabeça, Sr. Cândido não brinca com a limpeza, esfrega o couro cabeludo com as unhas! (em conversa com alguns homens percebi que isso é um procedimento comum, também me explicaram que introduzir os dedos indicadores com uma pontinha da toalha dentro de cada orelha também é normal, felizmente não tive essa sorte). Depois mandou-me sentar na cadeira, começou a secar o cabelo... e de repente lembrou-se que precisava de uma mola, era ver o Sr. Cândido a abrir gavetas, a vasculhar o cabeleireiro... até que encontrou!!! Sucesso!!! De seguida, foi buscar uma escova tão velha, tão velha que já só tinha meia dúzia de cerdas... e provavelmente cabelos de pessoas que entretanto já faleceram. 
Eu disse que queria algum volume e um ondulado largo... 
Pois que Sr. Cândido começou a sua magia, era vê-lo a enrolar o cabelo com a escova, a fazer gestos com as mãos, a pingar suor, a pedir-me para segurar no secador para ser mais rápido... conseguia ver a felicidade espelhada no seu rosto, claramente mais do que no meu. Até foi bastante rápido, quando as coisas não lhe corriam bem, desculpava-se com o meu cabelo "cabelo fino menina, é assim", mas nem precisava de o fazer que eu estava a ver todo o génio do Sr. Cândido e quase a sentir pena por não ter um cabelo melhor que lhe permitisse trabalhar com as condições que ele merecia. 
Por fim a laca... era vê-lo vaporizar em todo o estilo, tentou fazer me uma poupa... sou uma pessoa paciente mas também tenho os meus limites, disse  "Bem... Sr. Cândido a poupa não é bem o meu estilo, mas obrigada". Podia ter acrescentado, não é bem o meu estilo desde 1990 mas pronto fiquei me por ali. 
O resultado final ficou médio mas, a verdade é que, hoje de manha ainda tinha caracóis. 
Obrigada Sr. Cândido! 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Homens de Portugal aprendam...



Disse que me achava bonita,
levou me a passear a um jardim,
apanhou uma flor para me dar,

deu me uma bolachinha à boca, 

conversámos e rimos muito a tarde toda
e no fim perguntou se não queria ir lá a casa.

... se uma criança de 2 anos consegue, será assim tão difícil ?!? 

Por isso tomei uma decisão, vou me criopreservar e aguardar calmamente ao fresco que ele cresça! Se é assim em pequeno imagino o charme em adulto já para não falar que ganhava uns sogros do melhor.

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